Diversas vezes nos posts e nas respostas aos comentários falamos: “se você já come fibras em abundância, bebe água suficiente e faz atividade física, mas ainda assim não tem um hábito intestinal adequado, deve procurar um médico para investigar as causas que levam à obstipação e instituir o tratamento eficiente.”
Isso realmente é muito bonito, mas pede algumas reflexões:
O que é hábito intestinal normal?
Qual é a quantidade de fibras que deve ser consumida por dia?
Quanto de água é suficiente por dia?
Quais exames devem ser feitos?
Que especialidade médica devo procurar?
Quais as opções de tratamento?
Vamos tentar responder essas dúvidas:
– O que é hábito intestinal normal?
A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera normal os pacientes que evacuam no intervalo limitado entre três vezes ao dia ou até uma vez a cada três dias, desde que ele não sinta desconforto antes ou durante as evacuações.
O que significa que muita gente, que vai ao banheiro a cada dois dias, se acha obstipada, e acaba tomando laxativos e fazendo dietas especiais, mas ainda está na faixa normal.
– Qual é a quantidade de fibras que deve ser consumida por dia?
Um adulto saudável deve consumir cerca de 40 gramas de fibras ao dia. Já, a alimentação das crianças deve ser discutida com um pediatra, dependendo do peso e da idade dos pequenos.
Para atingir essa quantidade, minha sugestão é que consuma fibras em todas as refeições, assim, você facilmente atingirá a quantidade necessária sem perceber.
– Quanto de água é suficiente por dia?
Existem pacientes que têm restrições no consumo de água, por exemplo, grávidas, pacientes com problemas renais, hipertensos. Caso você não tenha restrição (discuta com seu médico), deve consumir cerca de dois litros de água ao dia. Em dias secos ou se você é um atleta ou trabalhador braçal que perde muito líquido em sua atividade diária, precisa beber ainda mais água.
O corpo precisa de água para cumprir suas funções fisiológicas. Se o indivíduo não tomar água o suficiente, vai concentrar a urina e secar as fezes, dificultando a evacuação.
– Quais exames devem ser feitos?
O primeiro passo é uma boa conversa, avaliando o histórico do indivíduo e realizando um bom exame físico. Nessa fase, alguns exames podem ser pedidos para descartar causas anatômicas ou obstrutivas, uma colonoscopia pode ser necessária.
Descartadas causas obstrutivas, devemos pensar nas causas funcionais. Precisamos diferenciar o intestino que não funciona, porque a contração de suas paredes não é eficiente, daqueles que o bolo fecal chega à parte terminal do intestino, mas há uma dificuldade na saída das fezes (evacuação obstruída). Para isso, usamos um exame chamado “tempo de trânsito colônico”.
Posteriormente, precisamos fazer uma avaliação por meio de diversos exames complexos. Exemplo disso é a “manometria ano retal”, que mede a força de contração, capacidade, complacência e sensibilidade do reto – o que significa que avaliaremos o funcionamento desse órgão de forma precisa.
Há também o exame chamado de “videodefecografia”, que avalia a evacuação por um filme de raio X, que nos mostra o momento da evacuação de forma dinâmica. E outros exames de maior ou menor complexidade dependendo do caso, mas que visam definir qual mecanismo relacionado à evacuação não está funcionando adequadamente.
– Que especialidade médica devo procurar?
Em geral quem cuida desses casos é o coloproctologista, mas um bom gastroenterologista também pode cumprir esse papel.
– Quais as opções de tratamento?
Depende muito de cada paciente, mas vai desde cirurgia para cólons redundantes ou grandes retoceles até biofeed back, que seria uma fisioterapia na região perineal, que através de exercícios “ensina” o paciente a contrair e relaxar os músculos da região, algumas vezes sanando por completo o problema em poucas sessões. O tratamento também e até a escolha de um laxante adequado a cada indivíduo.
Portanto, o recado de hoje é: não fique em casa sofrendo com intestino preso, pense que há possibilidades de diagnóstico e tratamentos que podem ser eficientes para seu caso.
Fique de olho,
Saúde!



