Benigno x maligno

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Apesar destes termos serem carregados de significado na linguagem coloquial, em medicina, estas palavras têm um significado específico.

São chamadas de malignas as lesões que têm potencial de invasão de órgãos vizinhos ou à distância via vasos linfáticos ou sanguíneos, já as benignas não têm esta característica e por isto não invadem o indivíduo.

Quando falamos de cólon ou intestino grosso, examinado através de colonoscopia, podem ser encontradas lesões malignas e benignas. Felizmente, a maioria é benigna, entretanto algumas delas, mesmo benignas, têm potencial de malignização, e é este o assunto do dia de hoje.

É muito frequente um indivíduo dizer que fez colonoscopia e que foram encontrados pólipos, mas que eram benignos, será que o assunto acabou aí?

Existem dois tipos de pólipos benignos que acometem a mucosa do nosso intestino, os hiperplásicos e os adenomatosos, e as consequências para o indivíduo e para sua família são totalmente diferentes nestes dois casos.

Imagine um grande gramado, e em seu centro um tufo de grama mais alto.

Isto representa a mucosa do intestino com um pólipo. Se você examinar o tufo de grama e a qualidade da grama que o compõe for a mesma de todo o gramado, mas, que por algum motivo cresceu mais naquele ponto, você tem um polipo hiperplásico, que não tem potencial de malignização e que não significa nada do ponto de vista médico, nem pra você nem para sua família.

No entanto, se quando você examinar o tufo de grama e este for formado por uma grama de outra qualidade que não a do gramado, este pólipo é mais perigoso e pode comprometer o gramado todo. Neste caso a lesão é adenomatosa e tem potencial de se transformar em um câncer.

Por isso, o acompanhamento do paciente e de sua família muda.
Há 15 anos, este indivíduo desenvolveria um câncer, quando os exames de rastreamento não estavam a disposição. Atualmente, esses exames são tão simples, que as pessoas não dão a devida importância. É importante perceber que se não tivessem tirado o pólipo adenomatoso teriam desenvolvido um câncer. Dessa forma, é crucial que a família saiba do histórico desse índivíduo e que todos tenham orientação médica para evitar esta doença tão grave.

Os indivíduos com mais de 50 anos precisam ser incluídos em um programa de rastreamento de câncer coloretal independentemente de ter antecedentes familiares ou não.

Já os indivíduos com parente de primeiro grau com câncer de intestino OU POLIPO ADENOMATOSO, precisam ser rastreados a partir de 40 anos ou 10 anos antes que este parente quando foi diagnosticado, o que vier antes.

Por exemplo, se eu tenho um parente que diagnosticou um pólipo adenomatoso com 48 anos, eu preciso começar o meu programa de rastreamento com 38 anos (10 anos a menos 38 – menor que 40), mas se meu parente tiver o mesmo pólipo com 51 anos, começo o meu rastreamento com 40 anos (10 anos a menos 41- maior que 40).

O câncer de intestino é uma doença que pode ser evitada, uma vez identificada a lesão precursora a história natural da doença pode ser mudada.

Conhecer a forma de previnir e sair da posição passiva, questionando o médico sobre como evitar a doença e se submetendo aos exames propostos é a melhor forma de se proteger contra esta doença tão grave.

Depois deste post, se um amiga no salão contar que foi retirado um pólipo na colonoscopia, não deixe de perguntar se era Hiperplásico ou Adenomatoso.

Fico de olho
Saúde!

Dr Fabio Atui Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia

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